“É da natureza humana não perceber o real valor de uma coisa, ao menos que a percam.”— Naruto
Quem me perde, perde o apoio inquestionável, o carinho fácil, a preocupação doce. Perde as piadas ruins fora de hora (que normalmente são o tempo todo), a conversa que flui como nenhuma outra, o estar junto simples e sereno que basta em si. Perde o companheirismo implacável pros momentos em que o resto do mundo desaparece.
Vai comigo o respeito, a lealdade, a memoria que decora cada palavra, cada gesto, o achei-que-vc-fosse-gostar-comprei-pra-vc.
Vai embora comigo a mão do cafuné quase involuntário. O abraço no meio da noite. E da tarde. E de qualquer hora. Vai comigo o brilho nos olhos ao ver chegar. O ouvido, o ombro e o colo pré dispostos. Comigo vai a alegria, a força, a cia da viagem longa e chata, do filme ruim, da bagunça na cozinha e das referências imbecis. Na minha mala vão todas as ideias e soluções sobre todos os problemas que não são meus, mas viram, porque eu sou assim. Vai comigo o olhar que admira o sorriso orgulhoso das vitórias do outro.
E não é o outro quem tem que saber disso, sou eu. Se a pessoa abriu mão, deixo que ela siga subtraída de mim. Às vezes a pessoa perde sem saber. Sem dar a chance, sem abrir a porta. Perde no medo, na hesitação, na certeza - que, na verdade, ninguém tem - sobre o amanhã.
Perde, ou mais que isso: escolhe perder, por medo, por trauma, por inquietação, por preguiça de tentar, por ter criado um muro em volta da própria vida, ou por qualquer outro motivo. Mas perde. E fim.






